2009/01/13

Carta à Nostalgia da Areia


Reza a história, a minha, que não perturbará o rumo da História, essa sim, que molda o barro no qual vamos girando, que, no primeiro momento em que senti a areia, com meses ainda, estranhei, e bem, aqueles grãos secos, que faziam cócegas entre os meus dedos pequeninos dos pés. Perante a remota possibilidade da minha antipatia face àquela que seria para sempre um contínuo na minha vida, e fonte de energia dos meus progenitores, e mais tarde a minha, estes deram a batalha como vencida, mas nunca a guerra, mudando a estratégia de reconhecimento de terreno, para uma abordagem menos directa. Sentadinha com encosto, muito descansada a olhar o mar como sempre gostei de fazer, sem proferir palavra, em cima de uma toalha, inevitável seria a aproximação da areia à minha mão, muito despercebidamente, como se, num segundo, tivesse eu magicado aqueles grãos, que surgiram do nada. Foi paixão imediata. Desde então, grande parte do meu imaginário de criança tem como pano de fundo o horizonte azul, que a pouco e pouco fui entendendo, que vai abraçando, suavemente, a areia, na qual eu também adorava rebolar, pelas dunas, quando a minha (in)consciência ecológica ainda me permitia fazê-lo. Talvez tenha sido mesmo aí que desenvolvemos, eu e os meus primos, a capacidade criativa de traquinas que, sem os rebuscados utensílios que existem hoje, criavam histórias de astronautas, reis, pilotos de fórmula um, e tudo o que nos lembrássemos apenas pela transformação daquela matéria-prima em qualquer objecto que nos fosse imprescindível, desde naves espaciais elaboradíssimas, a castelos fantásticos (que, assumo, ainda hoje gosto de fazer). Lembro igualmente de como a minha ajuda na tarefa diária de puxar a rede, quando o sol ainda se mostra com todo o seu esplendor, mas já não ferve nas costas, era fundamental, no meio daqueles homens e crianças que se juntavam aos bois a tirar a pescaria do dia, a ser vendida mesmo ali (quando ainda não haviam essas instituições que com o intuito de ajudar, ferem tradições e colhem a genuinidade de alguns gestos só nossos). Assim que os pescadores, de pele bem bronzeada, boné muito encaixado e camisa de mangas dobradas até ao cotovelo, que fotografei com a minha retina, começavam a chamar, lá ia eu a correr, de onde estivesse, não fossem eles precisar de um ET, um Rei magnífico ou até de um Schumacher naquela tarefa. Ao me afastar da praia, quando o tempo muda, as folhas do Parque caiem e a areia fica fria, invejava em surdina aqueles que devotavam a vida àquela que eu adorava, permanecendo todo o ano, com a aparência de ser sempre Verão. Também eu desejava que a época estival nunca acabasse.
Hoje, já apenas uma só, coberta de agasalhos que o frio exige, com o sol tímido, que trespassa intermitentemente um vento pacifista, fecho os olhos e penso que tudo o que quero está ali, comigo, naquele banco de madeira salpicado de areia, reflectido no laranja do astro que adormece, e que olha, encostado a mim, o horizonte azul. Sem palavras, só assim. Tudo.

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2008/12/24

Carta a um Amor da Vida

Quando os olhos se perdiam em histórias fantásticas que imaginávamos nas janelas do prédio em frente, abandonado há muito, mas cujas persianas mais ou menos fechadas nos faziam criadoras do real ficcionado, julgávamo-nos intocáveis, inabaláveis, como se a paz estivesse ali e ninguém pudesse rasgar a fotografia do momento perfeito. Tudo parecia resultar numa facilidade e humor muito nosso, brincando e voando com guarda-chuvas mágicos, alegres e em harmonia como dentes de leão estivais, pelos vendavais que por nós iam passando. Ninguém que nos visse duvidaria da relação perfeita entre a calma e a tempestade, entre a paz e a intempérie, tão latina, que tornaria a coexistência um misto de gargalhadas e silêncios, todos eles sentidos, todos eles aceites e tão bem compreendidos. Fazem-me falta os degraus cantantes, e as loucuras gastronómicas, e até as sopas de cebola, intercaladas com batidos de banana, num sacrifício, de gigante para as gulodices que somos, só com piada porque partilhado contigo. Hoje os mais pequenos pormenores do quotidiano como rodar a chave na porta ou olhar o reflexo que não reconheço ao espelho se tornam demasiado solitários, sem alguém para ouvir os meus devaneios de musa perdida. Sabíamos de antemão que o futuro chegaria, e que a dupla, ou até mesmo o trio ou quadra que se juntava à volta de um pedaço de ambrósia quente, seria impossibilitado, por caminhos agrestes, de repetir a sazonalidade dos encontros. Nunca o negámos. Mas, e os murmúrios das divagações nocturnas no sofá, quem as ouvirá agora? Quem melhor para as ouvir? Quem desligará a massa que ficou por cozer? O Mundo é nosso, e sempre será, e o no meu sempre estará o teu, como parceiros fiéis em batalhas de Tolkien, cujos exércitos virão em defesa sempre que necessário. Somos elfos, humanos e anões, todos juntos, todos contra as nuvens que às vezes se tornam demasiado carregadas de tudo o que é mau para desaparecerem sozinhas. Ter-me-ás, lealmente, para sempre.

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2008/12/10

Telegrama à Coragem

Há dias assim, em que o único som que ouvimos, muito ao longe, como se estivesse noutro espaço, noutra era, é o bater de um tempo que suaviza por momentos, e nos faz flutuar. Em que os arrepios nos fazem querer ficar, parados, até sermos tocados, envolvidos, abraçados profundamente, como se nunca aqui estivéssemos, mas sim ali, onde nunca deixámos de estar. Em que os dias que nos apagariam da memória, e nos tornariam meras imagens fugazes daquilo que um dia quisemos ser, se afastam para onde vai tudo aquilo que jamais acontecerá, perdendo-se no temor de um salto no vazio. Em que os medos, por momentos, desaparecem com a rapidez de um sorriso, e a profundidade de uns olhos que são livres dos grilhões impostos por uma mente complexa, fechada dentro de si própria, travando discussões acesas entre o ser, ou não ser. Deixamos escapar o brilho do que se sente, assim, sem proferir uma única palavra, olhando, apenas, com a vontade de divagar entre as curvas do horizonte. Há dias em que todas as cores parecem fundir-se num longo caminho, a percorrer calmamente, sem medo, retirando de cada passo a sabedoria de uma vida, respirando, até à meta, até ao futuro, que será sempre nosso. Há dias só teus.

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2008/12/03

Carta à Solidão


ML

Ainda ontem te vi passar no olhar da senhora que todas as quartas traz o pão quente, caseiro, que vende porta a porta para aconchegar a parca reforma de uma vida de mulher, dependente do marido. Não estava de preto, não tinha lenço à cabeça, mas a tua presença nos olhos cinzentos, mais baços do que vidro no Inverno, afastava qualquer comentário ou dúvida sobre a dor daquele ser franzino. Movia-se lentamente, como um filme antigo em slow motion, arrastando com ela o teu peso naquela existência, escurecida pelo dia em que te encontrou, escondida numa esquina perdida na cidade, inesperada. Antes de ti, a vida era fácil, e calma. Vivia preenchida entre as refeições que preparava numa casa de cinco, e os afazeres de um lar cheio de murmúrios suaves, conversas diárias e gargalhadas loucas, daqueles que olhava com orgulho. Agora tem-te a ti.
Mostraste-me então que hoje, mais do que nunca, acompanhas os passos daqueles que, afastados por uma força que os transcende, se cruzam comigo com os olhos opacos, alheados do mundo, preenchendo contigo a falta de alguém, ou de algo. És uma presença cruel, para quem não souber de ti tirar proveito, capaz de mergulhar a maior felicidade num poço de pensamentos sombrios, e loucos. Questiono por momentos a tua vontade de brincar com aqueles que se completam, atirando-os para lutas distantes, separados, obrigando-os a aguentarem o sabor amargo que deixas nos lábios secos, de tão sós se encontram, e a inércia de umas mãos que não podem mais tocar o calor, outrora vital. Mais eficácia te reconheço quando, no meio de uma multidão, te encontro, mesmo ao meu lado, apagando uma a uma as faces que rodeiam alguém, de sorriso forçado, ou ruga vincada na testa, quase imperceptível, marca de um rosto que não deixas relaxar, que não libertas. Naquele que no café brinca com o copo, ou finge que lê a página do jornal, durante minutos longos a mesma, tentando esconder-te bem fundo na sua alma, para que ninguém se aperceba que lá estás. Mas um olhar atento vê-te claramente, impune, perante a dor constante de muitos dos que passam, sem tocar, todos os dias.
Manhãs há em que te encontro ao espelho, ao reprimir as palavras que ficam por dizer ou as brincadeiras que se perdem no passar do tempo contigo ou os beijos matinais perfeitos, que procuro em vão, de olhos fechados, num misto de sonho e realidade. Fito-te tranquilamente, sei como te encarar, e converso contigo, sem que me ouças, deixando o sorriso atenuar as arestas afiadas que vão aparecendo na tua forma, e a que outros ferem tão profundamente. Fazes parte da minha rotina, acompanhando-me lado a lado, não me subjugas a uma existência vazia, de mera sobrevivência num mundo que vais dominando. E, por vezes, até a minha página de jornal se torna demasiado longa, e a notícia demasiado distante do meu pensamento, que voa para lugares onde não posso estar. Mas sei que és efémera e, como tudo, um dia, desvanecerás.

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2008/11/04

Carta ao Silêncio

DR
A primeira vez que te encontrei estavas num lugar tenebroso, tocado pelo frio de uma mão malévola, a qual temia como ameaçadora da minha própria vida. Tudo à tua volta era estranho, inóspito, e imaginar-me contigo era uma tortura da qual fugia com todas as minhas forças.
Procurava o som da chuva, do vento, dos acordes que, no máximo da sua potência, saiam da minha aparelhagem nos dias em que o meu quarto se tornava uma porta aberta à tua entrada. Percorria as ruas mais movimentadas, sem fim definido, para, com o andar frenético das gentes e o murmúrio de centenas de transeuntes apressados, nos seus caminhos de formiga, do trabalho a casa, impedir a tua vinda, que me desesperava. Não adormecia sem o barulho da TV, ruído impessoal que se tornava a minha arma infalível contra o monstro cruel que, assim que tudo se calasse, me roubaria a alma e sugaria a essência, tu. Trauteava na minha mente, sem cessar, cânticos antigos, de Wagner ou Tchaikovsky, génios das bandas sonoras de grandes batalhas, como aquela que empunhava contra ti, todos os dias, esperando destruir até a tua memória. Eras o espelho demasiado fiel, que reflectia tudo aquilo que em mim não desejava ver, os cantos obscuros da minha existência, onde se escondiam os medos e a cobardia.
Assim caminhei pelos anos que foram mais teus do que meus, sem te vencer, tentando ouvir a tua voz que se aproximava com a entoação de uma melodia distante, até à qual ia caminhando, sem medo. Um dia estiquei a mão e toquei-te, sem dares conta, levemente, na tua pele escamosa e luzidia, que te torna tão agreste ao primeiro olhar humano. Não me esperavas já… no tempo em que te repudiei ter-me-ia tornado um caso perdido, incapaz de olhar o quanto tens para me mostrar, pela experiência ganha em longas horas de observação e investigação cuidadosa e atenta dos meus gestos, falhanços e ambições mais profundos.
Soube desde então que serias o meu melhor amigo, o meu porto seguro no qual atraco nos dias em que todos os outros se tornam demasiado fortes, e a pauta que me rege demasiado pesada e irascível. Respiro-te com os olhos fechados, envolvida numa calma que me transcende, num momento quase sobrenatural, o meu nirvana, onde me procuro em ti. Não te esqueço nem nos dias em que o som da felicidade embala as minhas noites, tocando-me para cá e lá, suspensa por fios dourados com organza champagne, decorados com rosas brancas, de tecido, salpicadas por um brilho místico e seguras em feixes de luz branca, etérea.
Agradeço a paciência e o tempo que me deste, espero que outros te compreendam e sintam o prazer de sentar por uns minutos no teu colo almofadado de nuvens, ladeado de heras celestiais, tão magníficas quanto a tua essência. O meu tempo, hoje, é teu.

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2008/10/27

Carta a um Amor Ausente

DR
Costumava olhar para a dança das árvores pela minha janela e sentir que tudo o que era importante estava ali, naquele balançar suave, quase eterno, como é a Natureza. Acordava com o sussurro de uma música primaveril, quando todas as cores se mostram em todo o seu esplendor, por aí, orgulhosas de si mesmas. Fechava os olhos para o toque das ondas que serpenteavam por todos os traços marcados pela história, firmes como a mão que me agarrava. Costumava partilhá-lo, contigo, e assim ficávamos, imóveis, desafiando o tempo.
Hoje a noite está mais fria, e o acordar, cada vez mais agreste e difícil, é agora uma tarefa digna dos mais corajosos guerreiros. Tocar ansiosamente os lençóis que ao meu lado estão vazios, na esperança de te encontrar, desperta para a realidade que te afastou para o mundo em que a ausência de sentidos é eterna. Maldisse horas sem fim o momento em que saíste da nossa história, como levado por uma mão divina, de um deus mais cruel do que o próprio destino. Nem esqueci a água atirada no caminho da porta à escadas, tradição de um povo milenar, para apressar o regresso de um ente querido que se vai. Mas tu não vieste. E as horas tornaram-se rastilhos incandescentes de uma bomba que não explode… nunca explodirá.
Sonhei-te minutos a fio, forçando-me a relembrar cada onda do teu cabelo, cada brilho no olhar, cada gargalhada que demos, todos os detalhes que faziam de ti quem eras, enquanto te observava, nos dias em que passeávamos pela floresta aqui ao pé da casa, que também era tua. Saí para observar as estrelas, naqueles dias em que era nosso o banco de baloiço, para cocktails de meia-noite e conversas serenas, confiante que virias comigo. Sem ti ali nada fazia sentido.
Agora, contudo, as árvores já não dançam, os pássaros já não cantam, o mar secou e nem a casa é a mesma. Caminho para outra praia, onde distintos pormenores captarão a minha paixão pela beleza, pela harmonia, pelo prazer. Trago-nos comigo em todos os passos descalça pela areia molhada, que adorávamos percorrer, a brincar, mas deixo-te aí, onde talvez te volte a encontrar… quiçá… um dia…

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2008/10/20

Carta a uma Amiga num Dia de Chuva


DR

Há momentos na vida em que a nossa bagagem toma um peso maior do que aquele que podemos aguentar. A saudade vem como um exército feroz e atira-nos contra o chão, impotentes perante os dedos que vão tocando as nossas feridas, os nossos corações, relembrando alturas em aqueles abraços, aqueles beijos eram tudo para nós, quando desejávamos ardentemente que o tempo parasse no segundo em que éramos um só. Asfixiamos como se fosse impossível voltar a respirar livremente, inspirar a primeira aragem fria do inverno, sentir os salpicos do mar num pôr de sol silencioso de verão, cujo laranja reflectia misticamente o perfil daquele que ao nosso lado nos parecia um deus, único, magnífico, insubstituível. Vagueamos entre a multidão, conhecida ou desconhecida, sentindo-nos incompletos, um elo quebrado, um par de asas separadas, e achamos que nunca mais vamos sentir, viver, gozar, tudo aquilo que deixámos para trás, por um destino mais cínico do que os próprios politólogos gregos que lhe deram o nome. Enxugadas as lágrimas, passado o choque da tristeza profunda que nos remete a um pensativo cigarro numa janela solitária a observar as estrelas, erguemo-nos, como Fénix, ainda mais bonitas, mais fortes, mais graciosas, mais conscientes, melhores. Os dias em que o coração fica apertado, pequeno, vazio, são cada vez menos, e deixamos outras pessoas entrarem no passadiço que poderá levar ao não à primeira grande entrada na fortaleza que somos, onde outro alguém, há tempos atrás, conseguiu chegar. Sabemos que para isso será preciso que alguém pegue em nós e dance, cante, ria, se apaixone, e nos faça sentir as musas que somos, apreciando cada curva, cada traço, mesmo que imperfeito, no nosso corpo, na nossa cara, na nossa alma. Alguém que não tenha medo de nos sussurrar ao ouvido, de nos dizer o quanto a nossa presença alegra a sua existência, de nos apreciar, sem receio, sem limites impostos pela sociedade, assim, só porque o sente. Alguém aberto, frontal, e sensível, que nos leve às nuvens tanto quanto nós merecemos. Sim, miúda, porque merecemos isso e muito mais! E ele anda por aí, o tal, “perfeito para nós”, o que vai complementar uns seres completos como almejamos ser, cada vez mais mulheres, mais humanas. Se não acertarmos à primeira… então teremos outras hipóteses, sem desesperar, acreditando sempre que alguém compreenderá quem somos, sem nos pedir para mudar nem aquela rezinguice da manhã, ou a teimosia, ou a vontade de simplesmente sermos mulheres, femininas, quando quisermos, com ou sem saltos altos, com ou sem blush. Nunca esmoreças, saudade é portuguesa, mas nós somos lindas, únicas, e a nossa força deve acreditar sempre que um dia, um dia, voltaremos a esse nirvana com sabor a morangos com chocolate derretido e champagne, e cheiro a rosas no caminho para o banho, a cama, o Olimpo.

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2008/10/16

Carta a um Viajante

DR
Os dias em que o calor de Sidney não será suficiente para te aquecer à noite num quarto, sozinho, onde nada à tua volta te fará lembrar o lar que deixaste a milhares de quilómetros, virão com certeza. Como também aparecerão aqueles em que a comunicação será escassa, e a língua inóspita, que aguerridamente decidiste desafiar, parecerá um obstáculo inultrapassável na tua luta do próximo ano. As pessoas não serão todas confiáveis, nem terás a rede de segurança que tens agora, mas isso é crescer. A saudade, tão portuguesa, de tudo o que deixaste por cá invadir-te-á em momentos nos quais as lágrimas te descerão silenciosamente a cara, sem que possas evitar a vontade louca de desistir e regressar. O medo e ansiedade típicos de uma viagem à aventura serão teus companheiros fiéis, mas não lhes dês ouvidos. Sê mais forte do que eles, sê o vencedor, sempre.
Costumo dizer que a eternidade é daqueles que decidem tornar-se maiores do que a própria vida. Para isso, precisamos de voar, de nos desafiarmos ao ponto de nos tornarmos melhores nos amores, nas amizades, em tudo, na vida… Uma existência banal não nos tornará grandes, não fará de nós alguém que um dia olhará para o passado com a certeza que fez tudo aquilo que queria, que atingiu a maioria das metas desenhadas na adolescência, quando a vontade de sermos heróis um dia ainda não foi morta pela realidade, muitas vezes cruel do mundo adulto. O desafio está em ultrapassar os medos que nos prendem os movimentos, que nos limitam o voo, e erguem muralhas demasiado altas no caminho da fortaleza à qual todos almejamos chegar, tenha ela os contornos que lhe dermos.
Vai, com a certeza que terás sempre ao voltar vários braços abertos para te acolher, e afagar a cabeça de orgulho pela tua coragem e determinação. Constrói o caminho que a ti te tornará melhor, independentemente da distância que terás de percorrer, porque nós, por cá, estaremos sempre contigo, a olhar-te de longe, sem te esquecer. Seremos sempre o teu porto seguro, ao qual poderás recorrer sempre que precises, nos dias de maior tempestade, prontos a, pelo menos com as nossas vozes ou apenas palavras escritas, levar-te uns raios de sol. É para isso que aqui estamos, para te ajudar a voar, nunca para te prender.

Beijo


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