2008/09/28

Tango Fire


DR

O vermelho e o negro entram em total harmonia com os corpos apaixonados que se movem freneticamente. Com a delicadeza de uma paixão contida, ele percorre suavemente a linha do peito da mulher que, em delírio, o deixa tocar o calor infernal que a envolve em chamas. Absortos naquele momento de cumplicidade única, permanecem estáticos, sentindo cada bater dos dois corações, cada palpitar de sangue naquelas veias. Num instante agarram as mãos um do outro, deslizam com a graça de dois pássaros que se cortejam, sendo dos olhares a guerra travada entre desejo e privação. As gotas de suor deslizam, unindo-se na queda, já distantes daqueles que se completam e amam, sem cair na tentação. Firmemente ele agarra-a pela cintura, eleva-a à glorificação de um corpo em delírio, que, em todo o seu esplendor, faz movimentar por uns abdominais e braços firmes, seguro de agradar a mulher que comanda. Os cabelos seguem as delícias dos amantes, que ora se aproximam e estagnam, num quase roçar permanente dos lábios, ora se afastam, dando liberdade ao pudor que os consome. E numa batalha constante, entre ardor e acalmia, entre desejo ardente e suplício clerical, nasce a sensualidade daquele a quem todos chamam: o Tango.


(Tango Fire - O espectáculo que fui ver ao Casino esta semana... muito muito bom)

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(Re)Começo OST

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2008/09/22

Aniversário

Apercebi-me da fantástica descoberta: O Escape faz este mês dois anos!!

Como poderei eu presenteá-lo?

...

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Momento OST

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EUA

Enviaram-me este forward e queria partilhá-lo porque, ao relê-lo, fartei-me de rir sozinha. :)
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"Um velho árabe muçulmano iraquiano, a viver há mais de 40 anos nos EUA, quer plantar batatas no seu jardim, mas cavar a terra já é um trabalho demasiado pesado para ele. O seu filho único, Ahmed, está a estudar em França, e o velhote envia-lhe a seguinte mensagem:

Querido Ahmed, Sinto-me mal porque este ano não vou poder plantar batatas no jardim. Já estou demasiado velho para cavar a terra. Se tu estivesses aqui, todos estes problemas desapareceriam. Sei que tu remexerias e prepararias toda a terra.
Beijos
Papá


Poucos dias depois, recebe a seguinte mensagem:
Querido pai, Se fazes favor, não toques na terra desse jardim. Escondi aí umas coisas.
Beijos
Ahmed


Na madrugada seguinte, aparecem no local a polícia, agentes do FBI, da CIA, os SWAT, os Rangers, os Marines, Steven Seagal, Silvester Stallone e alguns mais da elite dos EUA, bem como representantes do Pentágono, da Secretaria de Estado, do Mayor, etc. Removem toda a terra do jardim procurando bombas, ou material para as construir, antrax, etc. Não encontram nada e vão-se embora, não sem antes interrogarem o velhote, que não fazia a mínima ideia do que eles buscavam.
Nesse mesmo dia, o velhote recebe outra mensagem:

Querido pai, Certamente a terra já está pronta para plantar as batatas. Foi o melhor que pude fazer, dadas as circunstâncias.
Beijos
Ahmed

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Gosto! :)

Conexão Edimburgo-NY I

Levantou-se rapidamente para descer até ao rés-do-chão. O Sol ainda mal tinha despontado, mas ele sabia que ia ser um dia em cheio, daqueles em que o tempo passa a correr e o que fica para tudo o resto é demasiado escasso. Por isso tinha de correr antes que a figura que dormia ao seu lado acordasse, antes que os que os acompanhariam na jornada dessem pela sua súbita vontade de manter o contacto com aquela que fazia o coração bater, e a alma voar. Ligou o computador com a calma de um silêncio obrigatório, suavemente puxou a cadeira para trás e sentou-se apenas na ponta, aquela que não o comprometeria com barulhinhos estranhos. Seriam apenas insónias que o levariam até à frente do logótipo do sistema operativo que ia carregando, reflectido nos olhos raiados do sono, ou da ansiedade? Ou precisaria ele de saber que, não seria ele, um único dia, a largar o fio que os agarrava, distantes, e tão perto como da primeira vez que dormiram juntos sem se tocar? Não conseguiria voltar ao computador mais tarde, não poderia falhar. Recorda, enquanto abre a barra de tarefas nos tons cinza que escolheu para o seu ambiente de trabalho, essa noite; estava muito frio, aquele frio que normalmente toca Edimburgo, com um nevoeiro húmido, propício a todas as histórias contadas por gerações sobre assassinos e fantasmas. Aquela estava particularmente gélida, e juntarem-se nos lençóis polares, a grande salvação nos momentos em que o aquecimento da casa decidia tirar férias, era a única possibilidade de a aguentarem. No dia seguinte jogaria o Celtic e, como bom detentor do estatuto de sócio, juntar-se-ia a mais três ou quatro amigos no evento, deixando-a a dormir, descansada, sem imaginar que essa seria a última vez que conseguiria sair sozinho dessa cama. Actualmente estavam separados, mais pela força de tudo o que os distinguia do que o que sentiam, e ambos sabiam disso. Edimburgo parecia, sem ela, uma cidade abandonada, na qual estava a tentar readaptar-se à vida anterior, aquela onde nunca havia sonhado com a existência de mundos onde o céu e a terra se tocavam, onde na loucura da diferença surgia a unicidade de dois seres em total sintonia, quase mágico. Relembrava a quantidade de vezes que olhava para os olhos dela em êxtase na rua principal que descia do Castelo, aos primeiros acordes de uma gaita-de-foles, tocada por um escocês vestido a rigor, sempre no mesmo sítio, perto do caminho estreito que levava à Universidade. Era nos pormenores que ela ganhava a todas as outras, e em conjunto, despertava nele tudo o que queria ser. Abrir o explorador de Internet não foi difícil, felizmente a evolução da Internet poupou-o dos sons irritantes dos modems de outrora, e eis que poderia na sua simplicidade, dizer em poucas palavras, as que usava normalmente, já que não era pessoa de grandes declarações ou floreados, dizer um “estou aqui, estou a pensar em ti, não te esqueço”, mascarados por detrás de um comentário qualquer de mais uma curiosidade que só ela entenderia. Sempre haviam comunicado muito mais por metáforas, entendendo-se nos códigos completamente ininteligíveis para os outros, do que nos rituais banais daqueles que se adoram. Haviam sempre fugido do romantismo fantasioso e fantasiado por horas dispendidas à frente de filmes e histórias ficcionadas, tinham uma dinâmica muito própria que transparecia a todos os que os conheceram. Carregou o enter para o envio do email e desligou numa correria o computador, não fosse aquela com quem estava agora acordar e entrar subitamente nos meandros daquela mente complicada. Tinha sido durante muito tempo a pedra basilar da sua noção de relação a dois, não podia sentir que tinha sido ele a estragar tudo. Subiu as escadas para o quarto a pensar nos quilómetros que os afastaram com a viagem daquela cujo sorriso não esquecia, e a saudade só aumentava, para o outro lado do oceano, e naqueles que ainda faltavam para voltarem a encontrar-se. Esperava, todos os dias, especialmente aquele que tinha pela frente, aguentar o dilema que o desgastava, do qual não poderia soltar-se levianamente. Teria forças para deixar tudo e voar até onde a aventura do desconhecido o poderia engolir de um só trago, e ao mesmo tempo dar-lhe muito mais alegria do que poderia imaginar?

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2008/09/19

Projecto de tese OST

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2008/09/16

...


Escrever é guardar em palavras que isoladas perderiam significado, pedaços da nossa existência que transborda num mundo demasiado pequeno e limitado. Tratar uma ideia, um conceito, um sentimento como igual, dando-lhe uma vida própria, tornando-o um reflexo daquilo que não se pronuncia facilmente. Viver todas as personagens que brotam de nós com uma vontade própria, mais fortes do que tudo o que restringe a nossa acção. Ser livre por uns momentos, de fronteiras ou barreiras que nos afastam de amizades, amores, e de muito do que nos é precioso. É fechar os olhos e sentir o aroma quente das especiarias misturado com o calor do cheiro a barro vermelho, num deserto de sensações, ou até olhar a Iris de alguém que está longe, ou que não existe. Tocar em sintonia o amarelo brilhante do cetim Real de tempos remotos, morando num estúdio de uma cidade cinzenta e coberta de asfalto e betão. É querer ser maior do que o corpo confinado ao desaparecimento, sendo aquilo que não podemos ser.

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2008/09/14

...



Parabéns.

Que Iris seja o primeiro momento de muitos outros. :)

2008/09/13

(Re)Play

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Autumn in New York

"- What I did was... very wrong.
And stupid.
I have no excuses...
I did what I did because...
I was scared.
- You were a coward!
- Can you forgive me?
- You betrayed me! For what?
Because you got the shakes?
- I was scared.
- You don't think I'm scared?!
You don't think I'm hanging onto
my courage by my fingernails?"

...

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Hoje adormeço com Neruda...

2008/09/11

RI e futebol, uma brincadeira...


DR
O pessoal de RI quando se junta, sem qualquer pretensão, tem sempre uma forma peculiar de se divertir a brincar com os temas que nos rodeiam. Na terça-feira, com cerveja e caipirinha à mistura, o debate era sobre temas para a tese da minha miúda linda que vai para Edimburgo fazer Mestrado, e eis que, após ligar o direito internacional a Darwin, surgiu a ideia, no meio de tudo o que ia sendo dito, de criar umas regras para a guerra, considerando-a um mal cuja extinção é impossível. Tornando a guerra (bilateral neste caso) um “jogo” com regras, a associação ao futebol era mais do que inevitável. Desmistificando a comicidade do tema, em poucos minutos encontrámos uma forma de tornar o conflito numa batalha num campo, cujo árbitro fosse das Nações Unidas e os fiscais de linha representantes de continentes, com regras muito específicas de ataque e defesa, e tácticas justas e honestas (como manda o fairplay). As fatalidades sofrer-se-iam no campo, com militares ou pessoas que quisessem, voluntariamente, fazer parte de cada equipa, sem danos colaterais, sem a morte de inocentes. Seria uma forma de minorar as consequências da guerra, já que tudo se resolveria no campo. Os estádios poderiam ainda ter claques das partes em oposição e, consoante o conflito, os países dividir-se-iam pelos que vendiam cachorros, tshirts, bebidas e bandeirolas (aah e as queijadinhas de Sintra. :P). Conclusão da pequena brincadeira, com o Mourinho como nosso treinador, metade da Europa seria nossa. :P

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2008/09/05

...


Es un sueño la vida
pero un sueño febril que dura un punto;
cuando de él se despierta,
se ve que todo es vanidad y humo…

¡Ojalá fuera un sueño
muy largo y muy profundo;
un sueño que durara hasta la muerte!
Yo soñaría con mi amor y el tuyo.
Gustavo A. Bécquer (poeta sevilhano)